Optar/aconselhar a ICSI – Porquê?

Muitas vezes a ICSI é a técnica utilizada após uma ou mais FIV que não surtem qualquer resultado. Todavia, existem outras causas que  levam à adopção médica desta RMA. Maioritariamente, são insuficiências masculinas que não permitem que ocorra a fecundação e, consequentemente, a conclusão da meiose do gâmeta feminino. Vamos, de seguida, abordar estas mesmas anomalias presentes em alguns indivíduos do sexo masculino e feminino que os impossibilita de procriar naturalmente.

Sexo Masculino

Aquando da observação de problemas de fertilidade é usual solicitar a realização de uma bateria de exames para que seja possível determinar a causa de tais problemas. Os exames commumente prescritos são o espermograma (permite aferir a qualidade do esperma e a quantidade de gâmetas presentes no mesmo), análises hormonais (faculta informações acerca dos níveis hormonais), análises bacteriológicas do esperma (detecta, entre outros aspectos, a quantidade de leucócitos anti-espermáticos) e teste de migração de espermatozóides.

É, assim, indicada a ICSI na presença das seguintes anomalias/diagnósticos:

  • Oligozoospermia – baixa quantidade de espermatozóides;
  • Anejaculação – distúrbios psicológicos (por exemplo, stress), que levam à não concretização da ejaculação;
  • Ejaculação retrógrada – por motivos morfo-fisiológicos, grande parte ou a totalidade do esperma é desviado para a bexiga;
  • Elevada concentração de leucócitos anti-espermáticos;
  • Perturbações ao nível dos testículos, vesículas seminais e próstata.


Sexo Feminino

Tal como os indivíduos do sexo masculino, também os do sexo feminino realizam diversos exames: análises hormonais, ecografia ao nível dos ovários e útero (verificar o desenvolvimento folicular e do endométrio), histerossalpingografia (radiografia que permite avaliar o estado e funcionamento das trompas de falópio), histeroscopia de diagnóstico (observação interior do útero) e exames ginecológicos (papanicolau, por exemplo).

No caso das mulheres, a ICSI é a opção que melhor se adequa quando existe baixo número de oócitos. Dada a escassez de gâmetas, é preferível a realização de uma microinjecção de espermetazóides, na medida em que irá diminuir eventuais falhas que possam ocorrer, por exemplo, durante uma FIV. A imaturidade folicular e a idade (baixo número e qualidade de oócitos) são também factores que muita das vezes obrigam a efectuar ICSI.

No entanto, por exemplo, para um sujeito que sofreu ablação dos testículos, qual será a solução mais viável se este pretender procriar? Será a ICSI também um método complementar na resolução destes casos? No próximo post iremos encontrar resposta para estas perguntas, mas gostaríamos de receber primeiro a vossa opinião e resposta à questão formulada.

Consultar bibliografia 

4 thoughts on “Optar/aconselhar a ICSI – Porquê?

    • Antes de mais gostaria de dizer que gostei bastante do blog e que foi bastante útil. No caso de um homem ou uma mulher ser seropositvo , estes podem optar pela ICSI ? E quais são os riscos para o filho ? Escola secundária Rainha Dona Leonor

      • Fábio agradecemos o teu comentário e opinião. Relativamente à questão que nos colocaste e, partindo do principio de que a noção de “seropositivo” está bem assente, seguimos para a explicação dos mecanismos de controlo quer na mulher quer no homem. Quanto à mulher – se esta realizar um tratamento antiretroviral adequado e apresentar uma baixa carga viral, nada a impede de engravidar, assegurando desde logo que o seu filho tem baixa probabilidade de contrair o vírus. No entanto este tipo de gravidez requer um acompanhamento médico mais intensivo dado que é necessário controlar regularmente os níveis da carga viral e implementar um tratamento profilático. O parto eutócico (parto normal) poderá ser realizado, porem a cesariana é por vezes planeada com o objectivo de proporcionar o menor contacto do feto com o sangue materno, caso a mãe apresente uma carga viral não desejável. Abordemos agora o caso masculino – o homem apresenta menor probabilidade de transferir o vírus. Realizando uma lavagem ao esperma, assegura-se a eliminação das células virais, recorrendo depois à sua inseminação intrauterina, FIV ou ICSI. A escolha de uma destas três técnicas dependerá de diversas variáveis tais como o número de espermatozóides e oócitos, por exemplo. Caso surja outra dúvida não hesites em nos contactar.

    • João desde já queremos agradecer a tua participação. Quanto à questão que colocaste: um indivíduo do sexo masculino ao realizar uma vasectomia – método contraceptivo onde é efectuada uma pequena cirurgia ao nível da bolsa escrotal (incisão dos canais deferentes), com o objectivo de impedir a existência de espermatozóides no esperma – não deixa de produzir testosterona e, consequentemente, espermatozóides. Apesar da supressão dos canais, a acção das hormonas FSH e LH perdura ao nível dos testículos. Assim, existem ainda vários métodos que podem ser adoptados, contudo é certo que a procriação através da copula é impossível. A utilização de métodos PMA é uma solução: para a obtenção de espermatozóides é necessário realizar uma aspiração testicular (ou biopsia). Tal como foi referido, este processo permite a obtenção dos gâmetas masculinos que posteriormente podem ser aplicados numa inseminação artificial (caso os gâmetas apresentem uma boa mobilidade). A FIV e a ICSI são também dois métodos aos quais se pode recorrer. Os espermatozóides, na sua maioria, ao serem retirados da rede testicular tendem a apresentar baixa mobilidade pelo que a ICSI acaba por ser a opção mais viável e segura. Contudo, frisamos que um indíviduo sujeito a ablação testicular não poderá recorrer a nenhum destes métodos dado que não possuí gónadas para a posterior produção e recolha de gâmetas. O recurso a um banco de esperma poderá ser uma das soluções para este caso. Acrescentamos ainda que através de aconselhamento médico, a vasectomia pode vir a ser revertida. Esperamos ter respondido de forma clara à tua questão. Caso surja mais alguma dúvida dispõe, tentaremos encontrar uma solução para a mesma.

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